A despeito de não estarmos sempre dispostos a enxergá-lo ou admiti-lo, o racismo ainda é muito presente no meio empresarial. Infelizmente, entre uma pessoa branca e uma outra preta, com as mesmas competências, habilidades, mesma faixa etária, mesma formação acadêmica e tempo de experiência requerida, certamente a pessoa branca ganhará a vaga. Esse sentimento está entranhado do âmago das pessoas e elas nem percebem. O grande problema é que, quando se trata de organizações empresariais, que são, acima de tudo, instrumentos de transformação social, é necessário estarmos atentos para fazer uma mudança dessa perspectiva.
Nos últimos anos, a sociedade vem passando por um processo de mudança de paradigma e está jogando luz sobre esse tema tão grave e delicado. A expressão “racismo estrutural” tem sido cada vez mais difundida e é preciso ter coragem para enfrentar esse tema.
No âmbito organizacional, busca-se a inserção definitiva de pessoas negras dentro das empresas, sendo salutar que os empresários e recrutadores, ao realizar a seleção de colaboradores, estejam atentos aos critérios que intimamente os motivam a escolherem “esse ou aquele” candidato.
Assim, a criação de processos seletivos deve levar em conta critérios que não sejam discriminatórios, sem diferenciar ou privilegiar candidatos em função da cor, raça, gênero e religião, por exemplo. Além disso, é necessário que se esteja atento ao sentimento que move, no final das contas, a escolha efetiva do candidato.
A própria sociedade, ao longo dos anos, vem se purificando do mal que é o racismo e já percebemos uma maior ocupação de espaços por pessoas negras, no protagonismo de novelas, nos filmes, nas propagandas, nos cargos públicos e na política – a exemplo da eleição do presidente Barack Obama pelos americanos.
Nesse ponto, impende destacar que, até meados do século passado, nos Estados Unidos, pessoas negras eram impedidas de ocuparem o mesmo espaço – como ônibus ou restaurantes – que pessoas brancas. Trata-se de um lamentável passado muito recente de nossa história. E, se voltarmos ainda mais no tempo, veremos que a abolição da escravatura no Brasil ocorreu há pouco mais de 100 anos.
Ainda estamos muito longe de um mundo ideal. A maioria dos espaços ainda é ocupada predominante por pessoas brancas. Tudo isso obriga as empresas a diversificarem seu quadro de funcionários quanto à cor e raça, valorizando-se a pluralidade na formação de sua equipe de trabalho. Podemos dizer que elas acertam quando agem assim, pois o filtro deve estar regulado para obter o melhor profissional, considerando a sua expertise e o valor que ele poderá agregar para o seu business.
Eu acredito muito na inteligência do empresário. Ninguém consegue o sucesso por acaso, esse vem com muita luta, com erros e com acertos. Portanto, se os empreendedores estão investindo na diversidade, considerando aqui não apenas a questão da cor e raça, mas também de gênero, idade etc, eles estarão atendendo aos anseios da sociedade, do mercado e dos seus clientes. São os novos tempos, os novos ares, removendo o preconceito e trazendo promoção social, visibilidade e lucro.
No processo de seleção, ocasião em que serão avaliadas as competências (o conhecimento técnico específico, a vida acadêmica, o perfil psicológico), o selecionador deverá ter o preparo profissional necessário para saber identificar e quantificar o potencial de cada candidato em relação à vaga que está sendo solicitada, não ficando preso a determinados atributos que não conferem peso substancial à função que será executada pelo trabalhador no seu novo emprego.